— Não ache que é errado! Se você está fazendo e se sente
bem... Já aconteceu, você não deve se julgar por isso. Eu sei Jeff, agora tenho que desligar. —
Desligo o celular e continuo no caminho para o trabalho.
Bem, eu tento ser o mais otimista possível sobre as coisas,
isso me faz refletir... Às vezes. Jeff é o tipo de cara orgulhoso e ao mesmo
tempo cabeça dura, nunca dá o braço a torcer, acho que ele está passando por
uma fase difícil, vou visita-lo depois do trabalho.
— Bom dia, Sr. Arlon. — Falo educadamente, ao chegar a meu
escritório, olhando para a sua careca brilhante.
— JÁ FEZ OS RELATÓRIOS QUE EU TE PEDI DYLAN! — O coitado fala
gritando, até parece que sua cabeça vai explodir.
— Estão todos em
minha mesa senhor.
— Talvez você não
seja tão incompetente como eu achei que fosse...
— Fico feliz em
ouvir isso. — Como ele pode pensar isso logo no meu segundo dia de trabalho?
Tudo está
correndo bem até o momento em que Elise entra em meu escritório, ela tem
cabelos impecavelmente escuros, olhos claros e as bochechas são tão rosas
quanto um morango, ela tem um brilho diferente no olhar, e um sorriso
deslumbrante.
— Bom dia Dylan,
fico feliz em ser sua assistente. — Diz praticamente flertando parada em minha
frente. — O Sr. Arlon quer que você remarque todas as reuniões dele de hoje
para sábado.
— Ah, obrigado. —
Fico sem jeito. — Está bem, vai ser difícil falar com todo aquele pessoal, mas
vou conseguir.
Ela sorri outra
vez e sai às pressas, parecia estar envergonhada, se eu lesse sua mente diria
que ela estava se abraçando por dentro. E mais uma vez meu celular está
vibrando sobre a mesa, deixo ele lá até cair na caixa de mensagem, não posso
atender agora, tenho muito trabalho para fazer e já são onze horas, daqui a
pouco tenho que sair para almoçar e voltar correndo.
Meio dia, hora de
esquecer o escritório um pouco. Como sou novo na cidade não conheço muito bem
os restaurantes e cafés, então vou ter que ir até o mais próximo possível. Bem,
acho que o Coffe’s Midnight basta, é só atravessar a rua mesmo. O atendente é
um senhor barrigudo, eu diria que ele é o dono do estabelecimento e deve ter
uns 60 anos. E tem um sotaque engraçado deve ser italiano.
— Buongiorno
filho! O que vai querer? — Diz o senhor esboçando um grande sorriso.
— Um café, e um
pão de queijo já bastam senhor. — Respondo-lhe calorosamente, posso me
acostumar com isso todos os dias da semana.
— Sete mangos,
filho!
— Aqui pode ficar
com o troco. — Sorrio agradecendo, e ele abre um grande sorriso de volta.
Sento em uma mesa
perto da vidraça, uma vidraça muito brilhante e bonita eu diria, terminando de
tomar o café, pego meu celular e retorno a ligação perdida de Jeff.
— Jeff, oi, o que
você queria? Eu estava no expediente de trabalho, não podia falar àquela hora.
— Então... Toda vez que eu tento fazer tudo
certo, tudo da errado, e eu sinto que não tenho mais forças para continuar.
— Ele fala rapidamente, parece estar deprimido.
— Se você quer
voltar, você consegue, basta acreditar que é possível. Isso fica a seu
critério, você tem que saber. Se isso te faz bem, e se realmente é isso que
você quer.
— Hãn. Hum.
Preciso desligar ok. — Bem acho que essa conversa fez mal a ele, de alguma
forma.
Tento afastar
esse pensamento dando mais uma mordida no meu pão de queijo até acabar
completamente, já são meio dia e meio, quando de repente, Elise chega ao meu
lado com um copinho de café.
— Oi! Posso
sentar ao seu lado?
— Pode sim, fico
surpreso em te ver aqui. — Emito um sorriso educado.
— Então, como
está indo no seu segundo dia de trabalho?
— Ah! O senhor
Arlon é um pouco folgado, mas, nada que eu não consiga dominar.
— Esse é só o
começo de uma longa jornada. Me conte sobre você, sua família?
— Bem, meu pai
morreu no ano passado, de câncer pulmonar. Não foi tão fácil para a minha mãe,
mas tivemos que superar juntos, minha irmã estava fora da cidade, então não
soubemos muito bem qual foi a sua reação, ela morou a vida inteira com a minha
avó. Minha mãe está morando em Nova Orleans.
— Você está
gostando de Manhattan?
— É uma cidade
maneira, não pude conhecer direito ainda, mas pretendo.
— Poxa olha só a
hora, o senhor Arlon vai nos matar. — Diz ela com um breve espanto estampado no
rosto rosado.
Chegando a
entrada do meu escritório quem está em pé com uma pança enorme e uma careca
impecavelmente brilhante? Arlon.
— OLHA NÃO SEI O
QUE DEU EM VOCÊ, SE CHEGAR ATRASADO DE NOVO, JÁ PODE RECOLHER TODAS AS SUAS
COISAS DESSA SALA, VOCÊ ESTÁ NO OLHO DA RUA! — Ele fala tanto, e grita tanto
que parece até perder o ar.
— Está bem,
senhor. — Digo sem nenhuma emoção.
Todas as reuniões
remarcadas, e todo o trabalho cumprido. Hora de ir para casa, ou melhor, ir ver
como está Jeff. Ele me mandou o endereço por mensagem.
Rua: 87, Brooklin, casa número 13
De:
Jeff
07/05/2013
ás 17:02
Nossa não sabia
que a casa dele era tão perto do meu trabalho, apenas sete quarteirões ligo o
meu Fusion e me dirijo até a casa dele. Chegando lá tem um bilhete na porta:
Dylan estou te esperando em Manhattan Beach,
fica a alguns quilômetros dai. Abraços Jeff.
E mais uma vez,
lá vou eu atrás de Jeff. Coloco uma música calma Fur Elise do Beethoven, eu diria que isso poderia ser uma ironia do
dia. Jeff está caminhando a beira mar, com um coco na mão, parece abatido, para
um homem alto, de cabelos claros, e olhos escuros, ele estava parecendo um
zumbi, não parecia meu velho amigo Jeff. Retiro os sapatos e dobro as barras
das calças e chego ao seu lado.
— Bú! O que conta
de bom? — Ele tem um pequeno susto.
— Se isso foi uma
tentativa de me assustar... Conseguiu!
— Então... Acho
que agora você pode me falar com mais clareza o que está acontecendo... — Seu
olhar fica triste.
— Você sabe, é a
Beth. A gente vive brigando, largando e voltando. E dessa ultima vez, eu gritei
com ela, e disse que não queria ver a cara dela nunca mais. Acho que exagerei,
e estou muito mal por isso.
— Bom.
Primeiramente, não é querendo o mal do relacionamento de vocês, se for para
viver assim, é melhor ir uma para cada lado. Vocês só vivem brigando, não tem
um único dia que vocês ficam bem. E essa não é uma forma amigável de se
terminar um relacionamento.
— Sabe. Venho
pensando que eu não gosto mais dela, não sinto o que eu sentia antes, e depois
de ver aquela mensagem do Oliver.
— Hum! O que
dizia na mensagem exatamente?
— Depois de ontem queria te encontrar no mesmo
lugar na sexta-feira. — Ele repete a mensagem sem muito esforço. — Hoje é
terça e a gente tinha voltado no domingo.
— Bem isso é
complicado, mas não pense o pior.
— Eu nem dei
chances para ela se explicar, acho que foi melhor assim, só que ela saiu
chorando.
— Então. O que
tem feito de bom esses dias?
— Falo alegremente mudando de assunto.
— Fiquei jogando
aquele jogo que a gente jogava no colégio, para distrair um pouco. Peguei 470
pontos.
— Tenho que parar
de subestimar você, ultimamente, aprendi que ninguém é tão ruim quanto aparenta
ser. — caímos na gargalhada, que bom que consegui mudar de assunto, ele parece
mais feliz agora. — Quer uma carona?
— Opa!
Seguimos ouvindo
o rádio, notícias sobre o dia em Nova York. As mesmas de sempre eu diria. Ele
parece perdido em pensamentos.
— Próxima parada
casa 13. — Falo com grande entusiasmo, e ele abre um sorriso.
— Obrigado,
irmão. Até mais, foi bom falar com você de alguma forma, fez eu me sentir
melhor.
— Fico feliz em
saber disso Jeff. Nos vemos em breve. Ao falar nisso, estou pensando em ir a
algum restaurante da cidade para jantar, não estou nem um pouco a fim de comer
macarronada hoje de novo, conhece algum? Quer vir comigo?
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